No passado dia 28 de Setembro, Sábado, o Clube Audio
TT realizou o seu 2º Passeio "Por Terras do Alvarinho", o 6º deste ano.
Esta foi a maneira encontrada para continuar a dar a conhecer aos seus
membros uma região que, para além, do famoso néctar Vinho Alvarinho
possui também paisagens muito interessantes e onde é ainda possível
passear em estreita ligação com a natureza.
O encontro estava marcado para as 9h30m junto ao
Mercado, em Melgaço, mas a maior parte dos participantes resolveu
juntar-se previamente junto à Igreja do Alívio e seguir em caravana até
Melgaço.
À hora marcada estavam então os 17 jipes e as pouco
mais de 50 pessoas reunidas no parque junto ao Mercado, prontas para
mais um dia bem passado. Depois de um pequeno "briefing", onde foi
apresentado o Passeio, relembradas as "regras básicas" que o Clube Audio
TT procura respeitar nas suas organizações, e distribuído o respectivo "Road-Book",
deu-se então início ao Passeio propriamente dito.
A manhã estava dividida em 2 etapas, com uma paragem
entre elas, de modo a que fosse possível fazer-se o habitual "reforço da
manhã".
A 1ª etapa, com um total de pouco mais de 13 Km,
permitiu acompanhar um pouco o curso do rio Minho e também passear pelas
muitas vinhas de "Alvarinho" existentes nos arredores de Melgaço. Esta
etapa terminava no topo de um dos montes da região, junto a um Marco
Geodésico, tendo entretanto passado em 2 ou 3 zonas onde a perícia dos
condutores e a capacidade das diferentes "máquinas" tinha começado a ser
"posta à prova".
Sem nada de muito especial a assinalar, todos
cumpriram o percurso previsto, ficando apenas para as nossas "memórias
colectivas" um pneu furado (na realidade foi antes um pneu cortado por
um pedaço de vidro) que é algo que, felizmente, tem ocorrido poucas
vezes nos nossos Passeios.
Depois do "reforço da manhã", constituído por pão
fresquinho, com queijo e fiambre, acompanhado por sumos de fruta, icetea
ou água e um café, para terminar, estávamos prontos para iniciar a 2ª
etapa.
Esta 2ª etapa, com um total de cerca de 24,5 Km, iria
levar-nos até ao almoço e começava "a matar" com a subida de um pequeno
corta-fogo razoavelmente complicado, logo seguido de uma descida com
piso bastante duro. Seguia-se, depois, nova descida com valas
longitudinais razoavelmente profundas, que justificavam uma condução
"milimétrica", de modo a colocá-las a meio do jipe e a evitar que as
rodas lá caíssem, porque se tal acontecesse, já não seria possível sair
pelos próprios meios. Todos os participantes fizeram questão de
demonstrar a sua perícia e os obstáculos foram ultrapassados sem
problemas especiais.
Depois de alguns Kms em asfalto, regressava-se aos
pisos de terra e pedra, alguns deles um bocado duros. Foi a altura de,
entre zonas um pouco mais difíceis, se ir vendo um conjunto de paisagens
"que vale a pena ver", ao mesmo tempo que subíamos, primeiro, ao topo de
outro monte e, depois, se descia até Castro Laboreiro, onde terminava a
2ª etapa e seria servido o almoço.
A estalagem em Castro Laboreiro aguardava a chegada
dos participantes para servir uma vitela assada (da região) que não
deixou os seus créditos por mãos alheias, devidamente regada com os
néctares da zona.
A parte da tarde, que correspondia à 3ª etapa,
prometia ser mais calma. O percurso, com um total de cerca de 30 Kms,
levar-nos-ia a passear pela zona de planalto, apanhando a linha de
fronteira que divide Portugal da Galiza. O percurso, maioritariamente em
estradão, tinha mesmo assim uma ou outra zona onde o piso era um bocado
mais duro e com bastante pedra.
A parte inicial permitiu ver uma manada razoavelmente
grande de cavalos que por ali se passeavam em total liberdade (não eram
cavalos "selvagens", pois estavam "marcados", mas andavam completamente
soltos no meio do planalto…). A paisagem era, ela também, extremamente
interessante, fazendo com que muitos dos participantes mostrassem a o
seu contentamento pela possibilidade de apreciar zonas que nos fazem
esquecer de imediato a vida nos grandes centros com os seus vários
aspectos negativos.
A meio do percurso, aproximadamente, atravessava-se a
fronteira, junto ao marco 23, seguindo-se depois, pelo lado espanhol, a
acompanhar a divisão entre os 2 países, dando assim origem ao único
trajecto que o Clube Audio TT costuma utilizar fora de fronteiras. Este
foi o local escolhido para mais uma paragem da caravana, aproveitando-se
para fazer a "foto de família" dos participantes, ao mesmo tempo que se
conversava um pouco sobre vários aspectos relacionados com a situação,
nomeadamente o contrabando que se fazia nesta zona, a diferença entre
Espanha (neste caso, a Galiza) e Portugal, a necessidade de proteger a
natureza, de modo a que as gerações vindouras possam continuar a
desfrutar dela, a forma de vida das populações locais, entre outros.
Continuando a seguir o percurso traçado no Road-Book,
agora por "terras da Galiza", chegamos a uma zona que estava assinalada
como "área de recreio" para quem quisesse brincar um pouco… Na realidade
é uma zona mais ou menos pantanosa e muito traiçoeira, pois uma
vegetação de juncos "disfarça" por completo um terreno bastante
acidentado, com covas de mais de meio metro de profundidade, e bastante
lamacento. É importante salientar que esta zona fica exactamente no meio
de um caminho, fazendo dele parte, mas havendo um outro trilho
alternativo, à volta.
Como já era de esperar, houveram 3 ou 4 jipes que
"cheios de coragem" se resolveram aventurar, de imediato, e tentar
atravessar esta zona… Contudo, a "coragem", acompanhada da perícia dos
condutores e das capacidades das máquinas, não foi suficiente e,
rapidamente, estavam todos completamente atascados… uns, logo ao início,
outros um pouco mais à frente…
Para ajudar a resgatar os jipes atolados, vários
outros foram tentando aproximar-se, mas seguindo por zonas menos
"perigosas". Mesmo assim, uma parte deles não se livrou de ficar atolado
e, se iam tentar ajudar os outros, acabaram por ficar à espera de quem
os ajudasse…
Enquanto se ia resgatando os jipes, um a um, por
vezes com bastante dificuldade, uma vez que alguns estavam completamente
"enterrados", apareceu um jipe com uma brigada de vigilância espanhola,
que parou e que esteve um bocado à conversa connosco. O primeiro
comentário que fizeram foi algo do tipo "mas vocês são malucos ou quê
?!? Então não vêem que é praticamente impossível passar por aí ?!? Este
caminho aqui ao lado foi aberto exactamente porque ninguém consegue
passar pelo caminho original !!!" . Nós lá lhes explicamos que se
tratava de uma "brincadeira" e que por isso estava "tudo bem" e ninguém
se tinha metido ali "ao engano". A conversa continuou durante mais algum
tempo, acabando os espanhóis por contar algumas "histórias" passadas
ali, nomeadamente uma em que um jipe do exército espanhol tinha tentado
atravessar aquela zona e tinham ficado presos. Tinham sido obrigados a
pedir ajuda, mas só no dia seguinte foram "resgatados", sendo obrigados
a passar a noite no meio do lamaçal…
Após cerca de uma hora de "trabalho", já se tinha
conseguido libertar os jipes que tinham ficado atolados e era altura de
continuar, que o dia já estava a dar mostras de querer chegar ao fim...
Mais uns Kms feitos, e nova paragem, desta vez para
um lanche. Os estômagos que se encontravam um pouco mais vazios foram,
novamente, "aconchegados", ao mesmo tempo que se ia aproveitando para
fazer um balanço de mais este passeio que estava já muito próximo do
fim. Restavam uma meia dúzia de Kms e sem qualquer dificuldade especial.
A opinião geral era muito positiva, fazendo toda a
gente questão de frisar que tinha sido um dia particularmente bem
passado e que, quer o percurso utilizado, quer as refeições, quer a
camaradagem e amizade que percorria a caravana, tinham sido muito bons.
Era tempo de perguntar quando seria o próximo Passeio e de tentar
"reservar" desde já lugar para ele, insistindo para que não nos
esquecêssemos de os informar e convidar.
Clube Audio TT
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