O nosso País tem assistido, nos últimos anos, a um
crescimento exponencial do número de praticantes de TTT. Se os "jipes",
nos primórdios, serviam somente militares, agricultores, etc., cedo se
lhes apontaram potencialidades lúdicas que não tardaram a ser
aproveitadas.
Hoje, pois, serão milhares em Portugal aqueles que
dão a essas fabulosas máquinas uma utilização lúdica e/ou desportiva.
Ora, e se a massificação da actividade (TTT) acarretou benefícios de
diversa ordem, permitindo a muitos, desde logo, usufruir em pleno do
nosso riquíssimo património natural e arquitectónico, o certo é que
suscita também, cada vez mais, a cobiça de pessoas e interesses menos
escrupulosos que, sob a bandeira da promoção do TTT ou da protecção da
natureza, parecem sobretudo visar satisfazer interesses diferentes
daqueles que seriam de esperar (supostamente a preservação da natureza,
a formação/informação e a dignificação da actividade e dos seus
simpatizantes, etc.). É o caso da Federação Portuguesa de
Todo-o-Terreno Turístico (a FPTT).
Na verdade, a FPTT vem, nos últimos tempos, movendo
uma campanha vergonhosa, junto das autarquias e forças policiais,
tentando – ilegalmente – impedir a realização de todos os eventos
de TTT que não se realizam sob a sua égide. Trata-se, como é evidente,
de uma vergonhosa tentativa de monopolizar a actividade, içando,
a pretexto, a bandeira de alerta contra temidos prevaricadores que
devastam os nossos campos (que, ressalve-se, infelizmente também os há).
Ora, e na verdade, esta instituição (!?), em virtude
da ignorância que, sobre a matéria, grassa - quer nas autarquias, quer
mesmo entre os próprios praticantes - , vem impedindo a realização de
diversos eventos de TTT organizados por entidades federadas e não
federadas. O estratagema utilizado consiste no envio de uma comunicação
às autarquias e forças policiais (geralmente um "fax"), que, muito
embora pejada de erros ortográficos e de pontuação, logra suscitar
dúvidas e suspeitas sobre a legalidade e condições de segurança do
evento "denunciado". Em face disto, e não dominando a legislação
aplicável, as forças policiais, como referido, de forma mais ou menos
vacilante, impediram já a realização de diversos eventos.
É de realçar que a FPTT denunciou já eventos
organizados por filiados seus que, porém, não pactuam com o rumo que a
actual Direcção lhe vem imprimindo, e que poderão ter (ou não), questões
do foro interno pendentes, a tratar exclusivamente no âmbito dos
estatutos da mesma, questões estas que em nada poderiam condicionar a
realização de um passeio de todo-o-terreno à luz da Legislação
Portuguesa.
A FPTT não esclareceu, até hoje, porque se arroga o
direito de "licenciar" ou de "dar parecer" favorável ou desfavorável
sobre determinado evento de TTT, a realizar por associados seus e também
por outras pessoas sem qualquer relação com esta Federação, muito embora
sejam inúmeras as solicitações de esclarecimento que entidades federadas
e não federadas efectuaram nesse sentido.
Note-se, porém, que, em princípio, aceitamos de bom
grado a existência de uma entidade aglutinadora, recenseadora,
formadora, educadora, moralizadora, promotora, colaboradora, que zele
pela protecção da natureza e recursos naturais – escassos, mas públicos
– e que represente todos os simpatizantes e praticantes de TTT, não
apenas no papel, mas principalmente nas acções e posições.